Você superprotege o seu filho? Faço um apelo a vocês pais!

Você superprotege seu filho? Faço um apelo a vocês pais

Vamos refletir se é realmente isso que desejam para vocês e para ele no futuro?

É cada dia mais frequente no consultório a queixa de jovens adultos que não conseguem se posicionar no mercado profissional, manter um relacionamento ou conquistar independência financeira.

Sentem-se despreparados para enfrentar situações cotidianas, confusos quanto aos seus objetivos, tem dificuldade em estabelecer e aceitar limites, não conseguem tomar decisões e quando o fazem não a “bancam” por muito tempo, não lidam bem com frustrações, tem baixa estima, não confiam em si mesmos entre outras queixas. O sofrimento e a angústia podem ser o resultado de uma vida superprotegida.

Proteger os filhos é uma obrigação dos pais. As crianças nascem dependentes e cabe ao adulto zelar por seus cuidados, segurança e desenvolvimento físico e emocional. Já a superproteção fala de traços de insegurança dos pais. O que viveram em suas infâncias, seus medos, faltas, as falhas ambientais que sofreram influenciarão na vida de seus filhos. Assim, podemos dizer que a proteção é para o filho, a parte super da proteção é para suprir algo que faltou ou que angustia o casal parental.

O fato é que superproteger comunica algumas coisas à criança.
Vou ilustrar: se você tem um bebê de 1 ano, precisa dar banho nele todos os dias pois ele ainda, cognitivamente, é incapaz de tomar banho sozinho, certo? Se aos 8 anos você continuar dando banho o que comunica ao seu filho? Primeiro: que ele não é autônomo para nada. Não consegue dar conta de si mesmo em situações em que os amiguinhos de sua idade já o fazem. Ele já tem a capacidade de fazer, mas sua atitude diz a ele que não. Segundo: Diz a ele que ele não pode viver sem você pois, se não consegue dar conta de si sozinho, sempre precisará ter você por perto. Terceiro: que ele não é tão capaz quanto os seus pares. Quarto: que tem algo de errado com ele…

Preciso continuar?
Preciso sim! Essa criança lá na frente será o adulto que citei no início desse texto.

O excesso de cuidado, de facilidades não o preparou para os desafios da vida, não o treinou em suas capacidades, não o permitiu vislumbrar possibilidades e lutar por elas, não o ensinou a lidar com frustrações. Por que lutar se tudo me cai nas mãos tão facilmente?

Se os pais tiram os obstáculos da vida dos filhos como eles aprenderão a lidar com eles na vida adulta?
Como ser autoconfiante, independente, autônomo?
As intenções podem ser as melhores, mas, melhores para quem?
Pensem pais, que adultos serão seus filhos? Cuidarão deles até quando? Por quê? E
quando não puderem mais o fazer, o que será deles? O que será de vocês?

Vejo seus filhos em minha frente semanalmente no consultório e penso em vocês. No que viveram, no que sofreram, no que lhes faltou para que seus filhos recebam em dobro, por eles e por vocês. O que querem compensar? Vocês sofrem e eles sofrem.
Apelo para que reflitam sobre as suas questões e cuidem de vocês. Sejam bons com vocês antes de serem bons pais. Os seus filhos seguirão seus passos. Acreditem, existem muitas questões mal resolvidas que refletem no desenvolvimento de seus filhos, que os impedem de crescer. Elas podem resultar em uma superproteção.

Poderia citar aqui muitas delas como perdas, desamparo, negligência, desproteção, abuso, abandono, irresponsabilidade, violência, privação e tantas outras experiências traumáticas vividas. Se elas ainda doerem em vocês, recairão sobre os seus.


Sejam bons ancestrais, nem mais e nem menos. Ancestrais suficientemente bons. Por vocês e pelos seus.

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